domingo, 26 de dezembro de 2010

Bebida Alcoólica + Antibióticos

Oi gente ^^
A idéia desse post seria falar de algumas misturas que a gente vê com certa frequência por aí.O problema é que se eu falasse de todas que eu queria só em um texto ia terminar ficando muito,muito,muito extenso - e muito chato. Então eu vou dividir esse tema em alguns posts, pra a coisa ficar menos cansativa, ok?O primeiro capítulo de nossa emocionante série vai falar sobre a mistura de bebidas alcoólicas e antibióticos. Mas antes, alguns pré-requisitos que serão úteis durante a conversa sobre misturinhas até o último post que trate de álcool e medicamentos - ou não.
Álcool potencializando o efeito de um medicamento: Quando as enzimas que metabolizam o medicamento são as mesmas do álcool, estas ficam "ocupadas" peocessano o etanol, fazendo com que o remédio permaneça por mais tempo e em maior concentração na corrente sanguínea. Em alguns casos esta pode ser a diferença entre intoxicação ou não.
* Álcool inibindo a ação de um medicamento: Acontece com bebedores crônicos. O estímulo alcoólico constante no fígado faz com que haja um aumento no número de enzimas hepáticas. Quando ummedicamento chega neste órgão há um excesso destas para metabolizá-lo, inativando a droga muito mais rapidamente do que de costume. Este excesso de enzimas pode permanecer por semanas após cessado o consumo de álcool.O estímulo constante do etanol e seus metabólitos podem gerar enzimas que transformam substâncias não tóxicas em metabólitos tóxicos.
* Álcool agindo no mesmo sítio dos medicamentos: Outra maneira de potencialização de remédios é quando estes, assim como o etanol, também atuam sobre osistema nervoso central, como o caso de narcóticos e sedativos. 
* Remédios aumentando o efeito do álcool: Alguns medicamentos inibem as enzimas que metabolizam o álcool, aumentando seus efeitos e seu tempo de permanência no organismo. Potencializam as lesões do álcool no organismo.
Antibióticos e bebidas alcoólicas:

ANTIBIÓTICOS : Os antibióticos são substâncias que atuam diretamente sobre o microorganismo, agindo sobre sua membrana celular, suas enzimas ou seu DNA. Cada uma das ações dos antibióticos está ligada à sua estrutura química. Além disso, as características químicas de cada substância modificam a sua absorção em nosso corpo e, de uma maneira geral, isso pode ser entendido da seguinte forma: substâncias com caráter levemente ácido ou alcalino e comportamento apolar (substâncias apolares podem ser entendidas grosso modo como substâncias "gordurosas") dissolvem-se bem em fluidos corporais. O caráter levemente ácido (ou básico) significa que estas substâncias normalmente encontram-se no que se chama de forma não ionizada, que é bem absorvida pelo nosso corpo. Dependendo das condições de acidez do meio, elas podem se converter à chamada forma ionizada, que é pouco absorvida.
ANTIBIÓTICO + ÁLCOOL : O álcool promove maior produção de ácido clorídrico no estômago e aumento dos movimentos do intestino e do estômago, podendo provocar diarréia e vômitos. Estes dois efeitos promovem uma passagem mais rápida e uma menor absorção do medicamento pelo estômago e pelo intestino. Assim, a ação do álcool não ocorreria diretamente sobre a substância antibiótica, mas sim na sua absorção. Com uma absorção menor, o medicamento estaria em menor concentração na corrente circulatória, diminuindo sua ação. Entretanto, esses mecanismos de interação, embora sejam coerentes, não são os principais responsáveis pela recomendação de não ingerir bebidas alcoólicas juntamente com antibióticos.
Outro risco de beber e tomar medicamentos é que o etanol pode promover um dano maior que o normal ao fígado quando o antibiótico já possui por si só uma atividade tóxica para este órgão, como é o caso do antifúngico cetoconazol e seus derivados, do antibiótico contra tuberculose izoniazida e do antibiótico azitromicina e seus derivados. No entanto, os efeitos tóxicos são maiores para os usuários crônicos de álcool, aqueles que bebem todos os dias; uma cervejinha (só uma hein pinguçada!) não causará maiores danos, embora possam surgir náuseas, vômitos e dores abdominais.
 Alguém aí já ouviu falar do efeito ANTABUSE? Pois é, existem algumas substâncias, que por terem em sua estrutura grupamentos contendo nitrogênio ou uma composição de nitrogênio com enxofre, inativam a enzima acetaldeído desidrogenase, a qual não irá converter o acetaldeído proveniente do etanol em acetato(se você não lembra do metabolismo do álcool deixa de preguiça e vai ver o post que fala do caminho dele,la no comecinho ). O acúmulo de acetaldeído provoca reações típicas muito desagradáveis, caracterizadas por: ardência na face, dificuldades respiratórias, náuseas, vômitos, transpiração, queda de pressão, vertigem e visão borrada. O Antabuse, nome comercial do composto dissulfiram, utilizado para combater o alcoolismo, baseia sua ação justamente aí. Um antiprotozoário muito conhecido chamado metronidazol também causa esse efeito e tem sido usado para o combate ao alcoolismo. E vários antibióticos freqüentemente receitados, entre estes certas penincilinas como a ciclacilina e a ampicilina, assim como algumas cefalosporinas, entre elas a cefalexina, a cefadroxila e a cefradina, possuem um grupamento nitrogênio, o qual também é capaz de promover esse efeito "antabuse". Além disso, estes antibióticos reagem diretamente com o acetaldeído, diminuindo a concentração do antibiótico livre no sangue. Isto significa que, em termos farmacêuticos, fica diminuída a disponibilidade do antibiótico para agir. Uma vez que existe menor concentração de antibiótico, seu efeito será reduzido - justamente o que os médicos afirmam, "que o álcool tira o efeito".
Nem todos os antibióticos interagem com bebidas alcoólicas, mas não é fácil explicar para um paciente que não entende nada de química por que ele não pode tomar tal antibiótico com álcool e tal antibiótico ele pode. A tendência do paciente será sempre a de generalizar, e é claro, generalizar para o que é favorável a ele, ou seja, "ah, se tomando a minha "pinga" com X eu não sinto nada, vou tomar com Y também!" Por isso os médicos preferem generalizar também, não dando chance à imaginação da nossa população.
Bibliografia:


Postado por: Mariana Ribeiro e Freitas

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